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Quem tem câncer tem pressa!!!


Prazo entre diagnóstico do câncer e início do tratamento não é cumprido em 70% dos casos no Rio

Martha realizou a mamografia em julho de 2017, mas só foi operada no último dia 12

Foto: Márcia Foletto/ Agência O Globo

Flavia Junqueira

No dia 4 de agosto do ano passado, quando pegou o resultado da mamografia e, em função da imagem, a mastologista agendou uma biópsia para dois dias depois, a dona de casa Martha Angela dos Santos, de 51 anos, já soube que teria uma luta pela frente. Como ela diz, vestiu a armadura e ergueu a espada, decidida a não deixar o câncer derrotá-la. Mas confessa que não tinha ideia da briga que teria que travar contra o sistema público para conseguir o tratamento. Chegou a pensar em desistir. Entre o resultado da biópsia e a cirurgia para retirada da mama, foram seis meses e meio. Exatos 221 dias com a vida em suspenso, sem saber quantas manhãs ainda teria ao lado do filho especial. Sem saber se passaria mais um Natal com a família.

Apesar de haver, desde 2012, uma lei que determina que o tempo entre o diagnóstico final do câncer e o início do tratamento no SUS não pode ultrapassar 60 dias, um levantamento revelou que, no Rio de Janeiro, apenas 30% das pacientes com tumor na mama são atendidas nesse prazo. E a pena pelo não cumprimento da lei? Essa quem paga são as 70% que aguardam em média dois meses pela primeira consulta com mastologista, cinco meses para operar e de dois a três meses para iniciar a quimioterapia. Os dados foram coletados no Sistema Estadual de Regulação (SER), do governo estadual, e embasam a série de reportagens “Uma luta dolorosa”, que o EXTRA acompanhou.

A pesquisa, coordenada pela médica Sandra Gioia, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional do Rio, apontou que, a cada mês, mais de 300 mulheres têm dificuldade para agendar o primeiro atendimento em hospitais que tratam câncer no estado:

– Não há vagas suficientes para todas e algumas sequer estão na fila – diz.

Sandra explica que a fila para realizar biópsia, após o laudo da mamografia, tem 300 vagas:

– Essa fila nunca acaba e sempre há pacientes aguardando para serem inscritas.

Foto: Márcia Foletto/ Agência O Globo

A médica estudou o caso de quase 200 mulheres entre 40 e 70 anos atendidas no Rio Imagem, entre julho e dezembro de 2017. E implantou na unidade, com apoio da ONG americana Global Cancer Institute, o Programa de Navegação de Paciente (PNP). Com o projeto-piloto, a central de diagnóstico passou a ter uma assistente social que acompanha as pacientes da mamografia ao tratamento.

O PNP também suprimiu uma etapa que atrasa a chegada ao tratamento em cerca de dois meses. As mamografias realizadas no Rio Imagem passaram a ser analisadas por uma mastologista. Nos casos em que o exame aponta alterações, a mulher é encaminhada de imediato para a biópsia por agulha, que pode ser feita no mesmo dia. Isso evita que ela tenha que voltar ao posto de saúde, como acontece hoje nas demais unidades que realizam mamografia, passar por um médico para mostrar o exame e ser inserida novamente no Sistema de Regulação para agendar biópsia.

– Precisamos eliminar barreiras desnecessárias. São muitas que se erguem até o tratamento. A ausência de transparência nas filas de espera para marcar um exame ou consulta é uma delas, e isso contribui para a falta de discernimento sobre o que deve ser priorizado. O cenário é desolador. A média nacional de doença metastática na apresentação inicial é 8%. No Rio, estamos em 14%. Nos Estados Unidos, 4% – relata Sandra.

O Ministério da Saúde afirmou que, em 2017, os seis hospitais federais no Rio ampliaram em 5,8% a realização de cirurgias oncológicas de mama, em relação a 2016.

– Fiz mamografia no Rio Imagem no dia 25 de julho de 2017. Realizei a biópsia e recebi o resultado no dia 4 de setembro. No mesmo dia, voltei à Clínica da Família levando exames e uma carta que pedia urgência no agendamento em hospital que trata câncer. Mesmo assim, só fui inserida no SER nove dias depois, quando ameacei chamar a polícia. Fui agendada para o Instituto Nacional de Câncer (Inca) para 6 de novembro. O programa de navegação conseguiu adiantar para 23 de outubro. O tumor havia crescido e me disseram que teriam que retirar minha mama. Tive que refazer os exames do risco cirúrgico e passar por consultas com cardiologista, anestesista, enfermagem, psicólogo e assistente social. Cheguei a pensar em desistir. Foram quase seis meses rodando no Inca até a cirurgia, no último dia 12 – relata Martha.

Exposição “A Mulher e o Câncer do Colo do Útero”


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Atenciosamente,
Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede
Coordenação Nacional de Prevenção e Vigilância – CONPREV
Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – INCA

4 de Fevereiro} Dia Mundial de Combate ao Câncer


O Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, é uma data criada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), em 2005, para conscientizar a população mundial sobre a doença e incentivar as pessoas a falarem mais sobre o assunto no dia a dia.

Neste ano, o INCA escolheu como tema o estigma social do câncer. A campanha tem o objetivo de desmistificar marcas negativas associadas à doença, como emoções tristes ou até a morte, por meio do compartilhamento de experiências de pessoas que tiveram a doença e o foco no acolhimento e apoio da família.
Além disso, a campanha abordará o problema da desinformação provocado pela veiculação de notícias falsas e equivocadas sobre o tema, que podem atrapalhar a prevenção e o tratamento do câncer. Continue reading “4 de Fevereiro} Dia Mundial de Combate ao Câncer”

Imagem chocante – Esta senhora precisa de nossa ajuda!


*Reprodução permitida pela paciente ” Como vocês podem ver nesta foto, estou desesperada , e preciso de muita ajuda. Estou sentindo muitas doras devido ao acontecimento e vivo a base de remédios constantes (morfina) e gostaria que vocês me ajudassem a conseguir um tratamento no hospital do câncer. Eu me encontro nessa situação ha 10 meses e não consigo internação e lugar nenhum.

Me ajude Por Favor
Atenciosamente:
Patricia Tamborindegue Alves “
Após a sua sobrinha ter divulgado este apelo pelo facebook, o INCA abriu seu prontuário. Patricia continua precisando de ajuda e se você desejar e puder colaborar, por favor, envie um e-mail para revife@gmail.com nós entramos em contato com sua sobrinha e elas moram muito longe do hospital.
Muito obrigada,
Pra Sandra de Andrade

 

O câncer não espera na fila


Há uma semana o Senado aprovou o projeto de lei que fixa um prazo máximo (60 dias) para início do tratamento de pacientes com câncer pelo SUS. Ainda falta a sanção da presidente Dilma Rousseff, que dificilmente vetaria um projeto dessa natureza.

Mas será que existe alguma chance de esse prazo ser respeitado pela rede pública? Tenho minhas dúvidas.

O tratamento do câncer é uma das áreas mais críticas do SUS. Segundo relatório do Tribunal de Contas da União, em 2010, só 34% dos pacientes de câncer conseguiram fazer radioterapia. Outros 53% demoraram muito para conseguir uma cirurgia.

O tempo médio de espera por uma quimioterapia foi de 76 dias. Apenas 35% dos pacientes foram atendidos em 30 dias, prazo que o próprio Ministério da Saúde recomenda e considerado o ideal pelos especialistas. Na radioterapia, são 113 dias de espera, em média.

Apenas 16% são atendidos no primeiro mês. Isso sem contar o tempo precioso perdido entre o cidadão perceber que tem algo errado, conseguir consulta com especialista e encontrar vaga em centro oncológico.

ESTÁGIO AVANÇADO

Essa espera faz com que muitos pacientes comecem o tratamento com o tumor em estágio mais avançado e, portanto, com menor chance de cura. Estudos mostram que enquanto em outros países os pacientes com câncer sobrevivem de 12 a 16 anos, em média, no Brasil esse tempo é reduzido para dois a quatro anos.

Diante desse cenário, fica difícil pensar que, num passe de mágica, as pessoas passarão a ser atendidas em até dois meses após o diagnóstico da doença –com medicamentos, quimioterapia, radioterapia e cirurgia.

O fato é que o país não se preparou para enfrentar a doença, que tem 500 mil novos casos por ano. Faltam leitos, equipamentos e profissionais qualificados. E não há solução a curto prazo. É preciso que se faça investimentos no desenvolvimento de uma infraestrutura que possa dar vazão à demanda, que só crescerá com o envelhecimento populacional.

Silva Junior-11.nov.11/Folhapress
Hospital do Câncer de Barretos
Hospital do Câncer de Barretos

O que acontece hoje no Estado de Rondônia (Norte) é um bom exemplo para entender o tamanho da complicação. Quase todos (97%) dos pacientes que têm câncer diagnosticado por lá viajam mais de 3.000 km para serem atendidos no Hospital de Câncer em Barretos, interior de SP, porque não existem centros especializados naquela região. Escrevi sobre isso em abril

O próprio ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reconhece a desigualdade de acesso ao tratamento oncológico, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, mas diz que o SUS tem ampliado o volume de recursos para tratamento contra o câncer. No ano passado, foram R$ 2,2 bilhões de investimentos –R$ 400 milhões a mais do que em 2010.

Padilha também já anunciou a compra de 80 aceleradores nucleares (ainda em processo licitatório) para a realização de radioterapia, o principal gargalo no serviço público. Mas isso, na melhor das hipóteses, só começará a funcionar em 2015.

DISPARIDADE

Enquanto isso, milhares de brasileiros vão continuar morrendo porque não tiveram a mesma sorte de pessoas como a presidente Dilma e o ex-presidente Lula de estarem em um centro oncológico de excelência, onde puderam diagnosticar e tratar seus tumores precocemente.

Há três anos, uma pesquisa feita com mulheres que tiveram câncer de mama mostrou que a sobrevida das que são tratadas no SUS é 10% menor do que aquelas acompanhadas pelos serviços privados. Entre elas, o câncer também foi diagnosticado em estágios mais avançados (36% contra 16%).

A incorporação recente da droga trastuzumabe no SUS (usada por 25% das mulheres com câncer de mama), dez anos depois de a rede privada já oferecê-la, é outro exemplo da disparidade entre os mundos da saúde pública e da privada.

Portanto, garantir o atendimento integral aos doentes oncológicos em um menor período de tempo possível é a única chance de o país reduzir as mortes evitáveis pela doença. Não há números de quantas elas seriam, mas uma coisa é certa: o câncer não espera na fila.

Cláudia Collucci