Categoria: câncer

Ana Beatriz Cerisara: a boa morte


A professora que decidiu não fazer tratamentos contra um câncer terminal deixou um sereno ensinamento sobre o próprio fim

Em agosto do ano passado, VEJA passou dois dias com a professora gaúcha Ana Beatriz Cerisara, então com 60 anos, a convite dela e com a concordância da família. Ana Bea estava em estágio terminal de um triplo câncer no intestino. Resolvera não se submeter a nenhuma cirurgia e deixar a vida seguir seu curso natural. Queria contar sua história. “A decisão de abrir mão da cirurgia me deu calma”, disse, ao enxergar a finitude com serenidade. “Estou pronta para morrer. Não estou desistindo. Apenas não quero ficar viva a qualquer preço.” Do encontro em Florianópolis, na casa da professora, nasceram uma reportagem publicada em dezembro e um vídeo postado no Facebook, que atraiu enorme atenção — chegou a 9,6 milhões de visualizações e 130 000 compartilhamentos. Houve comoção ante a sinceridade cortante de uma mulher que decidira enfrentar a morte com a vida. Em suas palavras: “Quero ter uma boa morte, mas sei que para isso tenho de ter uma boa vida”.

Há duas semanas, VEJA foi convidada a visitar novamente Ana Beatriz. Ela sabia que lhe restava pouco tempo. Contou mais de sua extraordinária experiência pessoal ao se despedir de tudo. Contou — e morreu na madrugada do sábado 24 de março, aos 61 anos, seis dias depois do derradeiro contato com os repórteres da revista. Estava fraca. Perdia o fôlego para executar as tarefas mais simples, como tomar banho e comer. Mas se mostrava ainda mais tranquila do que nas primeiras conversas, ainda mais segura da decisão de não se submeter a nenhum tipo de tratamento fútil. “Estou morrendo. Não sinto dor. Que morte maravilhosa. Estou mais viva do que nunca”, disse. O depoimento completo está no site de VEJA. A professora fez um único pedido na aproximação com os jornalistas: que a reportagem e o vídeo sobre seus instantes finais só fossem divulgados depois de sua morte.

Ela sucumbiu à anemia, e não a outros sintomas mais agressivos do câncer de intestino, como a oclusão intestinal ou a falência hepática por metástase. Nas últimas duas semanas, a fraqueza foi se instalando progressivamente. Em 8 de março, não conseguiu mais subir a escada até seu quarto. Sua cama foi então transferida para o térreo da casa. No dia 21, depois do último banho de chuveiro, não saiu mais da cama. Pediu ao filho, Cauê, de 36 anos, que dormia a seu lado havia duas noites, que a deixasse a sós. Também não queria mais ouvir os barulhos que dão vida a uma casa, como o som da louça sendo lavada ou do liquidificador ligado. No dia 22, disse que não queria decidir mais nada. Suas duas últimas palavras foram uma brincadeira dirigida a Sandra, a prima que a acompanhava: “Desenruga, baixinha”. Não reclamou nenhuma vez de dor. Morreu dormindo.

Teve a chamada “boa morte”, cuja expressão em grego, euthanatos, está na mesma raiz da palavra eutanásia. Convém ressaltar, contudo, que a morte de Ana Bea foi outra coisa, não uma decisão médica destinada a abreviar sua vida. A eutanásia é proibida no Brasil. Para muitos, vai contra os benefícios proporcionados pelos recursos da ciência, além de ser repudiada por algumas religiões.

Ana Bea não interrompeu uma vida terminal. Decidiu simplesmente vivê-la, até que a morte chegasse com naturalidade. Diz Ana Claudia Quintana Arantes, geriatra da Casa do Cuidar e do Humana Vida e médica de Ana Bea: “Os tratamentos que poderiam ser oferecidos para a doença não permitiriam a qualidade de vida que ela usufruiu”.

A boa morte tem conquistado espaço na medida em que vai deixando de ser tabu. Nela abandonam-se os medicamentos porque não há cura, mas qualquer dor ou sofrimento são aliviados. Ana Bea não sentiu dores. Nos últimos momentos, teve desconforto respiratório e recebeu doses de morfina.

A dor de doentes em fase terminal só passou a ser combatida no fim da década de 60, com a humanização da medicina. Uma das primeiras especialistas a esboçar esse tipo de tratamento como uma área com fronteiras próprias, o chamado tratamento paliativo (do latim pallium, manto), foi a médica inglesa Cicely Saunders (1918-2005). Ao cuidar de homens com câncer avançado, ela se sensibilizou com o padecimento a que assistia e criou um instituto especializado em atenuar os sintomas dos doentes terminais, o St. Christopher’s Hospice, hoje uma referência mundial. Disse Ana Bea, num resumo do que imaginava legar: “É tão bom chegar aqui desse modo; estou realizando o sonho da minha vida morrendo dessa forma”.

Publicado em VEJA de 4 de abril de 2018, edição nº 2576

VEJA TAMBÉM:

 

Dieta pode afetar crescimento do câncer, apontam pesquisadores britânicos


Uma pesquisa com animais, publicada na revista científica Nature, indica que tumores identificados nas mamas sofreram com a falta do nutriente asparagina – encontrado no aspargo e em alimentos ricos em proteína, como carnes, ovos e frutos do mar.

O estudo aponta para melhores resultados no tratamento da doença no futuro, aproveitando os chamados “vícios culinários” do câncer. Mas os resultados ainda precisam ser confirmados em humanos.

“Não recomendamos aos pacientes excluírem totalmente qualquer grupo de alimentos de suas dietas sem falar com seus médicos”, disse Baroness Delyth Morgan, presidente executiva da Breast Cancer Now, instituição que financia pesquisas relacionadas ao câncer de mama no Reino Unido, reforçando que as pessoas não devem adotar dietas radicais na esteira do estudo.

“Encorajamos todos os pacientes a seguirem uma dieta saudável e variada”, acrescentou ela.

Retardamento

Conduzida no Centro de Pesquisas em Câncer da Universidade de Cambridge, a pesquisa que reforça o poder da alimentação no desenvolvimento de tumores foi realizada com ratos portadores de um tipo agressivo de câncer de mama – o câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano.

Os animais morreriam em algumas semanas, conforme o tumor se espalhasse pelo corpo. Mas quando foram submetidos a uma dieta com baixo teor de asparagina ou a drogas para bloquear esse nutriente, o tumor teve dificuldade para se espalhar.

“Foi uma grande mudança, (os cânceres) foram muito difíceis de encontrar”, disse o pesquisador Greg Hannon.

Pacientes com câncer de mama poderiam se beneficiar com conclusões da pesquisa, mas novos estudos ainda serão necessários

No ano passado, a Universidade de Glasgow, na Escócia, mostrou que cortar os aminoácidos serina e glicina retardou o desenvolvimento de linfoma e câncer intestinal.

“Estamos vendo evidências crescentes de que cânceres específicos são dependentes de componentes específicos de nossa dieta”, disse Hannon à BBC.

“No futuro, modificando a dieta de um paciente ou usando drogas que mudam a maneira como as células cancerígenas podem acessar esses nutrientes, esperamos melhorar os resultados na terapia.”

Implicações futuras

Um câncer em estágio inicial raramente mata. É quando ele se espalha pelo corpo – um processo conhecido como metástase – que pode se tornar fatal.

E uma célula cancerígena precisa passar por grandes mudanças para se espalhar. Isso inclui aprender a “romper” o tumor principal, a sobreviver na corrente sanguínea e a se desenvolver em outros partes do corpo. É para esse processo que os cientistas estimam que a asparagina seja necessária.

Mas os amantes de aspargos não devem temer essa conclusão. As descobertas da pesquisa que vieram a público agora ainda precisam ser confirmadas em pessoas e, de qualquer maneira, é difícil evitar a asparagina na dieta.

A longo prazo, os cientistas estimam que os pacientes receberiam bebidas especiais que são nutricionalmente equilibradas, mas que não possuem asparagina.

O professor Charles Swanton, diretor médico do Centro de Pesquisas de Câncer do Reino Unido, observa que “curiosamente, a droga L-asparaginase é usada para tratar leucemia linfoblástica aguda, que é dependente da asparagina”.

“É possível que, no futuro, essa droga possa ser reutilizada para ajudar a tratar pacientes com câncer de mama”, acrescenta.

Ainda são necessários, porém, novos testes antes de um possível tratamento como esse ser colocado em prática.

 

 

Você está olhando para a felicidade!


Você está vendo uma proteína Miosina puxar uma Endorfina ao longo de um filamento para a parte interna do córtex parietal do cérebro que gera a felicidade.
Você está olhando para a felicidade!
Precisamos manter nosso cérebro com a Miosina puxando a Endorfina, precisamos alimentá-las com fé e perseverança sempre querendo ser e viver feliz!

Estamos lutando por políticas públicas para essas pacientes. Vamos juntas?#mexeucomumamexeucomtodas #FiscalizecomFECCMRJ #nenhumdireitoamenos #saúdeparatodas


 

Pacientes em tratamento de câncer da Região dos Lagos precisam se deslocar até outros municípios distantes, para conseguir ter acesso à Radioterapia. A ASSOCIAÇÃO EVANGÉLICA REVIFÉ integra a Frente Estadual de Combate ao Câncer de Mama RJ e junto a outras instituições estamos lutando por políticas públicas para essas pacientes. Vamos juntas?. #mexeucomumamexeucomtodas #FiscalizecomFECCMRJ #nenhumdireitoamenos #saúdeparatodas

Card 2 - Sexta - 09.02, às 09h - Revifé.png

O que é a Frente Estadual de Combate ao Câncer de Mama do RJ?


Você quer luta por política pública? A ASSOCIAÇÃO EVANGÉLICA REVIFÉ integra a FECCMRJ.

Dá uma olhada nesse infográfico para entender melhor o que é a Frente Estadual de Combate ao Câncer de Mama do RJ, o que fazemos e como anda o nosso primeiro desafio: Radioterapia SUS na Região dos Lagos. #mexeucomumamexeucomtodas #FiscalizecomFECCMRJ #nenhumdireitoamenos #saúdeparatodas