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Em memória de Davi} Era uma vez… Numa granja…

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UM CONTO

                   ERA UMA VEZ… NUMA GRANJA…

Amanhece um novo dia na comunidade de Santa Clara, um lugar realmente bonito, como um rio largo, com suas colinas que parecem adornadas com diferentes tons de verde, grandes árvores e casas aconchegantes.

  • Bom dia! Está na hora de se levantar – canta o Senhor Galo, muito cedo, pela manhã.
  • Vamos! Apressem-se! Temos muito que fazer! – diz Mamãe Galinha para seus quatro pintinhos – Hoje vamos tomar café da manhã na sementeira e buscaremos comida para tarde.
  • Eu vou ficar por aqui fazendo alguns consertos na casa. – diz o Senhor Galo, enquanto isso vai acontecendo, a família das Vacas vai despertando.
  • Já vamos – respondem João e Pedro, são os filhos da Vaca. Eles vão acompanhar seus pais hoje para o pasto de cima.
  • Temos que ir cedo. – insiste a mãe vaca.

Todos saem contentes e apressados. Saúdam seus vizinhos, os Patos e a grande família Coelho.

Quando a mamãe galinha e seus pintinhos, Maria, Sebastião, Leonor e Rivaldo, estava, bem longe de casa, algo muito estranho aconteceu. Era uma grande tempestade, com raios, trovões e granizos. A mamãe Galinha se assustou. Os quatro pintinhos correram para debaixo das asas de sua mãe. Não sabiam o que estava ocorrendo. De repente, aconteceu uma avalanche que arrasou tudo. As árvores caíram! As casas inundaram-se, desaparecendo os curais! Houve gritos, choros e desespero. Todos corriam de um lado para o outro, buscando proteção.

Daí houve um grande silêncio, e, então, Maria abriu seus olhos e perguntou: – O que aconteceu? E onde está Rivaldo?

Sebastião e Leonor estavam assustados. Não acreditavam no que estavam vendo. Procuraram o Rivaldo e não encontraram-no.

  • Rivaldo sumiu! – gritaram os pintinhos para sua mãe – A correnteza o levou!
  • Não! Não é verdade! Isto não pode estar acontecendo! – responde a Mamãe Galinha

Todos o procuraram mais uma vez, mas em vão.

Desde o topo da montanha, o lodo foi descendo e arrastando tudo. Árvores, casas, animais, pessoas.

  • É horrível! – disse Leonardo, e começou a gritar por seu pai, sem obter resposta. Ele também tinha desaparecido.

Todos se sentem muito mal, muito mal. Mamãe Galinha se culpa pelo desaparecimento do Paulo. Maria quer dormir e acordar somente quando tudo tiver voltado ao que era antes. Sebastião grita, salta e diz:

  • Por que isto teve que acontecer comigo?

Leonor chora tanto que não tem mais forças, nem para falar.

Em seguida, começam a chegar amigos de outras comunidades. Todos tristes, mas tratam de ajudar a Mamãe Galinha, Maria, Sebastião e Leonor, como também os outros vizinhos que sobreviveram. Pouco a pouco, vão-se recuperando do susto e vão-se ajudando mutuamente. Muitos querem colaborar, mas não sabem como fazê-lo. Outros ficam parados, como se estivessem paralisados. E outros tentam se aproveitar da situação para conseguir alguma coisa.

Uma família de patos convida os nossos amigos a ficarem na sombra de uma árvore caída, que é o lugar onde eles conseguiram se refugiar. Mamãe Galinha aceita sua ajuda, pois não tem para onde ir.

Com o passar dos dias, Mamãe Galinha se dá conta de que os Patos têm grande compaixão por ela. Então, ela e os seus filhos não querem que eles se preocupem demais com eles, e finge estar bem: não repartem a sua dor, param de chorar, fazem de conta que nada aconteceu. No entanto, todos estão confusos: ficam de mau humor, vivem temerosos, não querem falar e até se entregam ao abandono. Querem que os outros façam tudo por eles. Ás vezes até sentem que toda a ajuda lhes é dada é pouca e se queixam.

Deste modo, os pintinhos se sentem cada vez pior. A Maria sente muita dor na a pata! Seu irmão, Sebastião, está com a asa doente e vive emburrado. Leonor quer dormir o dia inteiro e sonhar com seu pai, sua árvore, seus vizinhos. Mamãe está com dor de cabeça, mal-humorada e, às vezes, até grosseira. Por qualquer coisa, castiga os pintinhos, e todos sofrem muito.

Depois de algumas semanas, a família Pato resolve que tem que fazer alguma coisa e vai buscar Doutor Coelho. Quando ele chega, examina-os cuidadosamente e diz:

  • Estão muitos bem!

Mamãe Galinha e seus pintinhos se surpreendem.

  • Mas a minha pata está doente! – diz Maria.
  • E a minha asa está doente! – diz Sebastião.
  • Sim, – diz o Doutor Coelho. – vocês estão fazendo o melhor que podem para se recuperar dessa tragédia sem perturbar os outros. Não estão mal como os outros animais da granja. Vou explicar o que estão acontecendo. – Continua dizendo o sábio. – Alguma vez comerem demais e sentiram-se mal em todo corpo, especialmente no estômago?
  • Sim! – diz a Mamãe Galinha.
  • E como se aliviaram?
  • O melhor é vomitar – diz a Mamãe Galinha – pois, mesmo que se tomem remédios, se não vomitar, o mal-estar continua por muito tempo.

O Doutor Coelho sorri, olha para eles e lhes pergunta:

  • E depois de vomitar, como se sentem?
  • Muito melhor! – responde Maria.
  • Pois é assim! – diz o Doutor Coelho, com entusiasmo. – Quando alguém come demais e passa mal, o corpo pede para vomitar para se aliviar.
  • Eu não entendo o que dor de barriga tem a ver com a minha dor de asa – comenta Sebastião.
  • Bem, – diz o doutor – vocês estão assim. Você engoliu muito susto, muita dor, muito luto, muitas perdas ao mesmo tempo. Por isso, seu corpo responde com dor de asa, Sebastião e Maria estão com dor de pata, e Leonor só quer dormir o dia inteiro, e a Mamãe está mal-humorada. É preciso vomitar esse luto, deixar que saia, desabafar. Vocês precisam falar do que sentem. Inclusive chorar é algo saudável quando se sofre uma grande perda. Não se pode fazer nada mais para mudar o que aconteceu. Agora é tempo de aceitar perdas e chorar por elas. Assim vão sentir alívio. Logo poderão meditar e pensar sobre as melhores formas de reorganizar a vida, reconstruir a casa, pôr as coisas em ordem, colaborar com os vizinhos nos projetos comunitários e, assim, continuar vivendo. Conheço alguns habitantes deste vale que quando passam por uma tragédia, se isolam, não querem vomitar seus medos, não querem vomitar seus modos, não colaboram e ficam apáticos. Então, a cada dia, se sentem pior, e é provável que adoeça.

A Mamãe e seus pintinhos ficaram quietos, ouvindo com muita atenção tudo que o Doutor Coelho. Cada um falou baixinho.

  • É verdade. O Doutor Coelho aproveitou a atenção de todos para continuar.
  • Que bom que seus vizinhos os ajudaram. Que bom que vocês aceitaram ajuda deles, da família Pato e a minha. À medida que vão aceitando que o que passou, passou, vão poder expressar sua dor e tristeza aos amigos e vizinhos compreensivos, vão participar junto com os outros na recuperação de todos na granja. – disse o Doutor Coelho – Assim se sentiriam melhor.
  • Ah! Estou entendendo… – disse suavemente a Mamãe Galinha e ficou olhando longe para as árvores que ainda estavam de pé.

Os pintinhos tomaram seus lugares uns para os outros à medida que o doutor arrumava os instrumentos na maletinha.

  • Bom, meus amigos, – disse o Doutor Coelho, despedindo-se de cada um – desejo a vocês uma rápida recuperação, e que depois desta experiência tão dolorosa, todos vocês possam ser mais fortes e mais sábios.

Nossos amigos fizeram o que o doutor lhes indicou. À noite, antes de dormir, se sentaram para conversar sobre o que tinha acontecido durante o dia. Às vezes, choravam, lembrando os velhos tempos, mas agora já não era um choro de desespero. De manhã, freqüentemente, seu pai lhes fazia muita falta. Todos se lembravam de Rivaldo com muito carinho e falavam bem dele.

E o tempo passou. Os pintinhos cresceram e aprenderam novas coisas.

A Mamãe Galinha estava novamente ativa e alegre, buscando comida e conversando com seus vizinhos.

A granja voltou a ter vida!

Rio Grande, Rio Grande do Sul, 31/03/2015

 Em memória do meu neto Davi, “O Pregador”.

Com amor de sua avó Sandra de Andrade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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