REVIFÉ é revivendo com fé!

A luta de uma mãe! Conheça a história da brasileira que arriscou a vida para ter seu bebê

Deixe um comentário

gravida_cancerYahoo Contributor Network/Jaqueline Porto – Michele Lima

Por 

Michele Lima é uma educadora carioca de 32 anos. Levava uma vida normal até que recebeu duas notícias que extrapolavam o comum: estava grávida e… com câncer de mama! Michele, ao mesmo tempo, elevou-se às alturas e viu o mundo desabar.

A paciente e futura mãe fala sobre a descoberta praticamente simultânea da doença e da gravidez: “Senti um caroço no seio e fui ao médico. Minha menstruação também estava atrasada. Então, o médico pediu uma ultrassonografia da mama e um exame de gravidez”. E tinha início a sua saga.

A opção de Michele
E na divisa tênue entre a felicidade e a tragédia, Michele decidiu fazer uma terceira opção: a da vida, tivesse esta o caminho que fosse. A “mãe de risco” narra que a sua maior preocupação, desde o início, foi em relação ao bebê; seu grande medo era (talvez) não poder dar continuidade à gravidez. No entanto, seu desejo foi mais forte, e Michele aguentou firme a gestação.

Ela foi informada pelos médicos de que poderia fazer quimioterapia – após o terceiro mês de gravidez – sem que isso prejudicasse o bebê. Mas ela correria o risco da propagação da doença durante o primeiro trimestre da gestação, afinal passaria esse tempo sem poder fazer qualquer tratamento (terapias, remédios, intervenções). E nisso, principalmente, residiu o seu ato sublime: ela abriu mão de um tratamento usual contra o câncer, já que por três meses não receberia qualquer medicamento ou providência. Um tipo de lacuna que não se admite quando diante de um inimigo de morte.

A palavra dos especialistas
Um dos maiores especialistas brasileiros na área, Stephen Stefani, oncologista e pesquisador do Instituto do Câncer Mãe de Deus – ICMD , foi questionado a respeito da influência de um tratamento desses sobre um bebê em formação (não especificamente o caso de Michele e seu bebê, mas em linhas gerais). De acordo com Stefani, o risco de má-formação – maior no primeiro trimestre – é alto, até porque o princípio da quimioterapia é evitar a duplicação de células ruins, mas as boas também sofrem o efeito.

Quanto ao risco de optar pela gravidez e, com isso, atrasar o processo de quimioterapia, Stefani manifestou que a opção de Michele – embora, felizmente, tenha resultado em uma gravidez feliz e o bebê tenha nascido saudável – foi um ato de verdadeira coragem. Isso porque o atraso da quimioterapia poderia realmente aumentar o risco de recaída da doença. O médico explicou que – independentemente das circunstâncias de cada caso – toda mudança no protocolo original de tratamento oncológico gera risco e incertezas, sendo que “os resultados conhecidos e publicados dos tratamentos não esperam esse tempo todo”. Porém, cientificamente, não se pode quantificar o impacto; cada doença tem seu comportamento biológico próprio, diferenciado. Dentro dessa ótica, três meses podem ser muito inquietantes para uma pessoa saber que tem uma doença grave e não tratá-la.

O momento mais difícil / apoio familiar
De acordo com Michele, o pior momento de todo o período foi a primeira sessão de quimioterapia, pois doeu nela a hipótese de o bebê ser (talvez) atingido pelo procedimento. Ela conta que chorou muito e ficou extremamente fragilizada com a situação.

Outra circunstância difícil para a paciente grávida foi a queda do cabelo. Michele revela ter se sentido mal ao sair às ruas de lenço, já que todos ficavam olhando em sua direção, e essa reação pública a fazia sentir-se muito doente. Mas ela narra também o contraponto para essa dificuldade: o apoio irrestrito de seus familiares, amigos e – principalmente – de seu marido, diante das estratégias lúdicas e bem-humoradas para que ela pudesse lidar bem com a situação. Um exemplo disso foi a organização de uma animada festa de perucas para a celebração do seu aniversário. Michele conta que a brincadeira comemorativa trouxe leveza para o momento: “Todo mundo foi de peruca, como eu, para que eu não me sentisse mal careca. A festa foi muito alegre e engraçadíssima!”.

A vivência da gravidez
Indagada sobre como ocorreu todo o período da gravidez, Michele disse que a gestação foi bastante tranquila, apesar de tudo. Ela não teve dores nem mesmo enjoos. Quanto à quimioterapia, felizmente não houve nenhum efeito colateral, ao contrário do que ela costumava ouvir a respeito.

A resposta orgânica de Michele parece demonstrar o poder positivo da mente e, mais do que isso, do sentimento materno. Seria normal que ela apresentasse problemas, já que a gestação se dava em meio às interferências de uma doença (de características letais) e um tratamento pesado – que enfraquece o organismo, faz cair cabelo e costuma trazer consequências para o corpo e a alma. A própria paciente-mãe declara:

“Eu estava muito feliz com a chegada da minha princesa, e acho que isso me ajudou a ficar tranquila. O tratamento não é a pior parte desse processo. A pior parte é a incerteza da cura, pois o câncer pode voltar. O câncer em pessoas jovens é mais agressivo, e isso realmente me deixa tensa”.

Sobre a agressividade da doença em mulheres mais jovens, o oncologista Stephen Stefani informou serem, de fato, alguns tipos de tumores mais graves em pacientes jovens, como câncer de mama, embora – em linhas gerais – exista uma grande controvérsia sobre esse conceito de “mais agressividade em jovens”. Ainda de acordo com o especialista, vários estudos mostram que, em estádios equivalentes, a doença pode ser grave em qualquer faixa etária. Na sua opinião, a melhor forma de lidar com a situação é uma inclusão da paciente em manejo interdisciplinar, envolvendo oncologistas, psicólogos, enfermeiras (e diversos outros profissionais de saúde), de forma a cobrir a maioria das áreas de insegurança desse cenário.

E pensar que Michele protagonizou, nesse cenário de vida e morte, um episódio especial de resistência e milagre. Lançando mão de toda a sua garra, ela venceu, com uma gestação tranquila, um parto feliz e um bebê saudável.

A chegada de Carolina
Michele conta que a equipe médica que a assistiu foi excelente em carinho, cuidado e providência. Ela ficou feliz com o momento mágico em que a sua “princesa” chegava, depois dos tantos medos e das dificuldades inerentes à situação incomum de seu estado de saúde. Também a fortaleceu e estimulou a presença do marido – junto a ela na cena do parto -, quando ambos compartilhavam uma emoção única. Michele narra a sua alegria ao olhar para a filha – recém-nascida – e constatar que “estava tudo bem”, já que a pequena tinha atingido o peso e o tamanho necessários (Carolina nasceu com 2.040Kg e 41cm), embora o parto tenha sido adiantado. Por decisão médica, aconteceu na 35ª semana de gestação [quando se encerra ciclo de quimioterapia, não se pode esperar muito para a cirurgia (no caso) da mama, para que o tumor não volte a evoluir].

Michele relembra o momento: “Saber que a minha filha não precisava ir para a incubadora foi uma felicidade”.

A retirada do seio
São impressionantes a força e a coragem de Michele. Ela descobriu um câncer – ao mesmo tempo que uma gravidez -, abriu mão de um tratamento constante e integral, esteve firme durante toda a gestação, enfrentou com disposição o parto e, simplesmente, fez uma cirurgia de retirada de seio três dias após seu bebê nascer! Indagada sobre a experiência da difícil operação na semana do parto, ela contou que a cirurgia foi até mais tranquila do que o parto em si, “pois foi com anestesia geral, enquanto no parto a gente fica acordada o tempo todo”.

A paciente-mamãe, no entanto, fala da tensão do momento pós-cirúrgico, já que – além do corte da cesariana -, sentia o lado esquerdo de seu corpo todo dolorido. Ela detalha: “No primeiro dia, senti muita dor; mal conseguia levantar para ir ao banheiro”. Mas Michele nunca se deixa abater e completa sua declaração dizendo que “na mesma semana já estava bem melhor”.

Emoções, trabalho e superação
Questionada sobre o seu estado psicológico e as lições tiradas da experiência, Michele reflete a respeito, lembrando que em tantas situações as pessoas reclamam sem real motivo. Ela diz: “Foi muito assustador receber a noticia de que estava com câncer, e até hoje às vezes parece que tudo isso não aconteceu”. Ela também conta o quão foi ruim ter que se afastar do trabalho: “Nas primeiras semanas em que tirei licença, senti muita falta dos meus alunos; cheguei a sonhar com eles. Mas como a quimio deixa a gente com baixa imunidade, não seria prudente estando eu grávida, e naquelas condições, continuar trabalhando. Acho, porém, que já poderei voltar em fevereiro, e estou bem feliz com isso”.

A entrevistada conclui, revelando que sempre quis ter um filho: “Então, acho que a minha filha veio como um presente, para que eu ficasse bem em um momento triste”.

Gratidão / lição de vida
O fato de Michele ter descoberto o câncer no início da doença foi certamente promissor na luta estabelecida. Ainda de acordo com os esclarecimentos do oncologista Stephen Stefani, praticamente todos os tumores descobertos precocemente têm mais chances de cura: “O câncer de mama, por exemplo, tem até 90% de chance de cura quando detectado antes de dar sintomas”, especifica o médico.

Michele Lima manifesta ser muito feliz com a sua família e, especialmente, com o marido. Ela também diz que sonha em vivenciar cada vez mais alegrias, por muitos e muitos anos, ao lado da pequena Carolina e do esposo. A respeito de tudo, ela reflete:

“Pensar a vida como oportunidade é uma coisa que se aprende diante da possibilidade da morte, e acho que essa é a grande reflexão tirada desse episódio. Hoje eu sou mais grata e aproveito mais as coisas boas e simples da vida. Depois de uma coisa séria dessas, não dá para continuar com certas posturas diante dos fatos: nada de frescuras ou falta de coragem e disposição. Se preciso tomar injeção, vou tomar e pronto, fazendo tudo mais que for necessário. Descobri que devo seguir sempre em frente. Só não existe conserto mesmo para a morte”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s