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O sutiã certo para não prejudicar a saúde

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Dr. Fabio Ravaglia

 
A maioria das mulheres define a compra de um sutiã unicamente por questões estéticas, sem nenhuma preocupação com a saúde.
Ao escolher um novo, as mulheres em geral procuram por cores, estampas e rendas; ou modelos mais cavados para usar com um vestido decotado; ou com ou sem enchimento no bojo para dar a ideia de mais ou menos volume nos seios.
 
Quando questionadas sobre qual modelo ou tamanho é o seu ideal, não sabem responder ou respondem com certeza mais por gostar de determinado tipo do que por entender se o tal modelo é o correto para deixar o seu corpo realmente elegante. Pesquisas feitas por fabricantes de lingerie mostram que 80% das mulheres usam o sutiã errado em relação aos padrões estéticos que elas próprias cultuam, portanto, deixando de valorizar o que gostariam de ver valorizado. Na área da saúde não sei quantas estão usando o sutiã errado, mas fico pensando que, se a vaidade feminina permite erros de beleza e elegância, quantas mulheres estariam acertando no que se refere à saúde?
  
Em se falando de sutiã, não se pode apenas lembrar da aparência. A escolha deve ser a saudável. Um modelo mais apertado pode causar dores de cabeça, nas costas e trazer consequências como a indigestão. Há casos de escoriações, dores no peito e má postura.
As mulheres que sofrem mais são as que estão com sobrepeso. As dores causadas por sutiã podem se tornar crônicas.
O uso contínuo de um sutiã inadequado pode acarretar problemas na velhice. Algumas dores mamárias ou abrasões aparecem justamente com o uso de um determinado tipo de sutiã. Mas podem ser resolvidas com a troca por outro. Dramas podem ser evitados com a adoção do sutiã adequado.
 
Sinais de que você está usando o sutiã errado são, por exemplo: perceber que os seios balançam ao andar; a tendência de trazer os ombros para a frente; ou o seio dividido. Há mulheres que chegam a arrancar as alças em favor do conforto, sem imaginar que isto estraga a estrutura da peça e pode sobrecarregar as costas, causando dores musculares. Quem já se viu nestas situações, pode ter certeza que o modelo usado não é adequado. E, neste caso, a mulher está pecando tanto na estética quanto na saúde.
A função básica do sutiã é a sustentação dos seios com a finalidade de promover uma mudança estética, mais agradável aos padrões de beleza em voga. Esteja bonita, mas que a saúde prevaleça.
 
O sutiã ideal precisa equilibrar o peso dos seios entre as alças e a faixa presa nas costas, evitando que as costas e os ombros fiquem tensos. A proporção é de que 80% do peso seja sustentado pela cinta que circunda o corpo e apenas 20% do peso seja apoiado nas alças. Esta proporção é importante para que a tensão não cause dores musculares. O sutiã precisa se encaixar corretamente.
Não pode subir quando se ergue os braços e nem provocar depressão nos ombros. Reconheço a dificuldade das mulheres em encontrar o sutiã ideal. Nunca vou entender porque em muitas lojas aqui no Brasil não permitem experimentar sutiã.
Não vejo como escolher o modelo corretamente se muitas marcas não trazem todas as medidas necessárias em suas etiquetas. Enquanto os fabricantes não melhoram as informações para as consumidoras e os lojistas não descobrem como atender as necessidades das clientes, não é simples acertar na hora da compra. Talvez seja o caso de, ao descobrir o sutiã do tamanho certo, sempre comprar o mesmo modelo, mantendo a marca, porque há diferenças de tamanhos e moldes entre os fabricantes.
Isto não é tão simples: nem sempre se acha um idêntico ao velho para comprar e não conheço mulher que queira ficar repetindo peças na hora de se vestir. Na Europa e nos Estados Unidos, as etiquetas trazem os tamanhos do bojo e do diâmetro da circunferência formada por busto e costas. Assim fica mais fácil, escolhe-se apenas o formato do decote e a largura das alças, que devem ser maiores para suportar o peso de seios mais volumosos e ajustáveis no comprimento. Se me é permitido dar uma opinião, a compra de sutiã deveria ser como a de sapato: escolher, experimentar, andar com ele, olhar bem se ficou bom e ter certeza de que é confortável.
 
Além desta questão de mercado, para acertar o modelo que fica melhor as mulheres precisam superar obstáculos quase emocionais. Observe atentamente seu próprio corpo, do jeito que ele é e não da maneira que você gostaria que ele fosse. Digo isto porque independente do número de seu sutiã, há mulheres 42 que dizem ter o seio grande demais e mulheres, com o mesmo porte físico, que acham que usar 42 é pouco. Confira o conforto das alças nos ombros e nas costas e observe se de fato vão formar um V, posição que ajuda a distribuir o peso melhor. São as alças que fazem a distribuição de forças anteroposteriores sobre os ombros em relação às escápulas (omoplatas). Na frente, o centro da peça deve ficar ajustado ao corpo, pois quando forma um espaço muito grande, pode significar que o sutiã é pequeno demais. O bojo deve tocar suavemente os seios, sem apertá-los. Também não pode dividí-los ao meio; ele precisa envolver totalmente o seio. Caso as glândulas mamárias se estendam pelas axilas, melhor escolher um número maior e considerar um modelo com o tecido lateral mais largo e reforçado, de maneira a guardar melhor embaixo dos braços para segurar estas glândulas. O desenvolvimento das glândulas mamárias durante a gravidez exige modelos de sutiãs diferentes, assim como no período de amamentação. As mudanças do corpo precisam ser acompanhadas pela numeração da lingerie. O bojo não deve ficar enrugado, isto é sinal de que você precisa de um número menor.
 
O sutiã deve puxar para trás e não para frente. Com isso, o efeito natural da gravidade é minimizado. Além dos tamanhos corretos, todos os ajustes devem ser feitos com precisão para vestir bem. As alças reguladas e as tiras nas costas ajustadas de maneira que ao levantar os braços, o sutiã não saia da posição exata, logo abaixo do seio. As alças não podem apertar ou cair dos ombros. As alças ficam relativamente paralelas entre si, sobre as partes mais carnudas dos ombros, com tendência a formar a letra V nas costas.
A região lombar tem a musculatura mais forte do corpo e melhores condições de suportar o impacto do peso dos seios; e as alças ajudam na distribuição deste peso nos ombros. Se a tensão se concentar no tórax, existe o risco da postura corporal ficar curvada.
A inclinação advinda da sobrecarga pode provocar problemas no estômago e fadiga. A postura curvada persistente pode ter como consequência uma cifose, conhecida popularmente como corcundez. A força da gravidade atua quando se está em pé, portanto, seria desnecessário usar o sutiã para dormir. O bom sutiã sustenta os seios para manter a saúde e não apenas para deixar a mulher elegante ou sensual.
 
O uso de sutiã adequado pode vir a prevenir falta de ar, dores nas mamas (principalmente próximo à ovulação), abrasões, dores lombares, dores dorsais, dores cervicais, mal estar geral e dores de cabeça. Um bom sutiã pode inclusive contribuir para corrigir a má postura. O problema das dores nas costas, que ocorre principalmente em mulheres grandes com seios avantajados, provocado pela mudança do ponto de gravidade do tronco, pode ser resolvido ou minimizado com fisioterapia para fortalecimento da musculatura e para corrigir a postura. A cirurgia de redução de seios é um último recurso da medicina para quem não conseguiu bons resultados com as demais terapias.
 
Uma questão que não posso deixar de citar é que há pessoas que afirmam que há uma relação entre o aro do sutiã e o câncer de mama. Dizem que a pressão externa do sutiã contrai os vasos linfáticos e impede a drenagem adequada ao tecido mamário, levando ao acúmulo de líquido no peito. Estas informações constam em livro de Sydney Ross Singer e Soma Grismaijer, o casal norte-americano que se dedica a descobrir as causas de doenças relacionadas com o estilo de vida, que traz que a incidência do câncer de mama entre as mulheres ocidentais, entre as quais o uso de sutiã é indispensável para a maioria (entre 75% e 95%), é dez vezes maior do que entre as orientais, que não usam sutiã. Esta afirmação não leva em conta que para chegar a contrair os vasos linfáticos, a ponto de impedir a drenagem, seria preciso que o sutiã estivesse bastante apertado, causando uma dor insuportável. Também não considera fatores importantes como o estilo de vida, a dieta e a própria genética. Os autores defendem que as mulheres devem se libertar do sutiã. Abraçar a liberdade como fizeram as líderes do movimento feminista nos anos 1960, que protestaram por direitos iguais aos dos homens ocidentais tirando e queimando seus sutiãs em praça pública.
Aproveito para registrar algo mais em relação sutiã com aro. O sutiã com estrutura metálica tem seu uso desaconselhado por acupunturistas, que dizem que as estruturas, mesmo que recobertas por plásticos, cruzam os meridianos corporais e estagnam o fluxo de energia. Segundo a tradição desta alternativa de saúde chinesa, o “chi” é uma suposta energia que permearia todas as coisas.
Há técnicas para manipular o “chi” que são realizadas justamente no sentido de equilibar as forças opostas do “yin” e do “yan”.
O bloqueio de energias não seria bom para a saúde. Outro detalhe: aros de metais, às vezes, se soltam e causam ferimentos.
 
A elasticidade do sutiã é um fator que agregou conforto aos sutiãs no século passado. Antes, os sutiãs tinham tiras do próprio tecido, cordões ou fitas para serem amarradas. O elástico serve para prender e não deve comprimir o corpo. Aqui é a mesma recomendação para qualquer lingerie: o elástico de sutiãs, calcinhas e cuecas não pode machucar. As costuras também não. Por isso, a indústria desenvolveu novos tecidos e métodos de confecção de lingerie, com tecidos com elasticidade e sem costuras, tornando as peças bem mais confortáveis. Há poucas décadas, a recomendação era usar lingerie com forros de algodão nas partes íntimas. Com as novidades tecnológicas, já é possível confeccionar roupas íntimas com tecidos que não impedem a transpiração e que eliminam a sensação de umidade da pele. Há também os que fazem isto e possibilitam a perspiração. O tecido de algodão é bom para absorver a umidade só que deixa a pele molhada caso não seja tirado rapidamente. Quer dizer que há mais opções, mas é preciso escolher, pen
sando em como manter o bom funcionamento do corpo, o que é importante para a saúde. Lembre-se que o sutiã tem prazo de validade. Se ele perder a capacidade de sustentação por conta de elásticos frouxos, descarte-o. Para aumentar a durabilidade, melhor tomar cuidado ao lavar e guardar, usando sabão ou detergente que não causem alergia. Os bojos com enchimentos amassados ou dobrados costumam estragar.
 
Um capítulo à parte é o sutiã esportivo. Corredoras, principalmente, buscam modelos que evitem que os seios balancem demais durante a prática esportiva. Existe modelos projetados especialmente para sustentar os seios durante os exercícios físicos de alto impacto. Acontece que o seio se movimenta para cima, para baixo e para as laterais, e os sutiãs convencionais tentam diminuir somente os movimentos verticais. Modelos esportivos estão buscando reduzir os horizontais também. São fabricados para proporcionar mais conforto à atleta e para um ajuste perfeito. Confeccionados em tecidos que absorvem a umidade, têm outras propriedades para oferecer conforto: são sem costuras, com bordas laminadas ou costuras cobertas para evitar o atrito com a pele.
 
Frequentemente ouço a pergunta: doutor, devo ou não usar sutiã? Tenho um palpite. No Ocidente, acredito que seja, no mínimo estranho, uma mulher que não use frequentemente o sutiã. É uma questão cultural mesmo. Na Antiguidade, gregos e romanos dos dois sexos usavam faixas ou bandagens para diminuir o tamanho dos seios. Na Paris do século XIX, as francesas ficaram famosas mostrando suas lingeries rendadas, que despontavam nos decotes dos vestidos e valorizavam os seios. No século seguinte, as mulheres ocidentais adotaram de vez o sutiã para compor o vestuário. Em 1904, é registrado na França o “soutien-gorge”, o modelo moderno que é usado ainda hoje. Moderno? Não sei. Recentemente, foi encontrada na Áustria uma peça costurada em linho, datada do século XV, parecida com os sutiãs de hoje. A meu ver, estes registros históricos surgem para consolidar a minha ideia de que o uso de sutiã está arraigado na cultura de diversos povos do planeta. Os sutiãs integram a cultura do vestuário há muito tempo e, atualmente, p
or conta de uma maior liberdade sexual, passaram também a ser um acessório que representa a feminilidade e a sensualidade da mulher. Dificilmente as mulheres abandonarão o hábito de usá-lo. Daí também não precisam exagerar. Outro dia vi modelos de sutiãs para meninas de seis anos. Realmente, crianças não têm os seios desenvolvidos, portanto, não precisam usar sutiã.
 
Especialistas em moda costumam recomendar o bom senso ao se vestir. Médicos também recomendam o bom senso para manter a saúde. E não é só na questão das roupas íntimas. Usar calças jeans ou cintos muito apertados pode causar dormência, isto porque comprimem nervos importantes, o que pode ocasionar uma meralgia parestésica. Sem contar que o aperto pode interferir na digestão, provocar dores lombares e infecções fúngicas. Acessórios muito pesados também. A meralgia parestésica é comum em bailarinas, que usam tutus firmemente presos à cintura, ou em militares, que carregam as armas no cinturão. Em homens, gravata e colarinho de camisa podem ser o motivo de dores de cabeça, formigamento nas orelhas e visão embaçada. Cueca apertada, então, dizem que pode inclusive reduzir a produção de espermatozoides.
 
Fabio Ferraz do Amaral Ravaglia (CRM-SP 54.294 e RQE 11.990/89)
 
Cirurgião ortopedista e traumatologista, Fabio Ravaglia é presidente, desde 2005, do Instituto Ortopedia & Saúde (IOS) – organização não governamental que tem a missão de difundir informações sobre saúde e prevenção a doenças, principalmente aquelas associadas à terceira idade, e que organiza o Projeto Cidadania – Caminhadas com Segurança, evento mensal que incentiva a atividade física e conta com uma feira de saúde aberta à população para a realização de exames gratuitos. http://www.ortopediaesaude.org.br e http://www.osso.org.br
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