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@nanivenancio conta como se recuperou de trombose cerebral (2009)

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Enquanto amamentava a filha Moira, com treze dias de vida, a apresentadora Nani Venâncio, 41, percebeu que sua visão estava alterada.

Ela só conseguia enxergar o marido à sua frente, que pedia a ela que parasse de amamentar e fosse ao pronto-socorro.

Era madrugada do dia 1º/9, e a dor de cabeça estava insuportável.

Marisa Cauduro/Folha Imagem
A apresentadora Nani Venancio teve trombose cerebral após o parto da 2ª filha
A apresentadora Nani Venancio teve trombose cerebral após o parto da 2ª filha

Daí em diante, ela não se lembra de mais nada. Quem ajuda a remontar os fatos são os familiares, que contam que ela vomitou algumas vezes a caminho do hospital e ficou com a parte inferior dos olhos muito escura e com o rosto e o pescoço bastante inchados.

O primeiro diagnóstico foi de depressão e estresse por causa do período pós-parto. Por insistência da família e de seu médico, que acreditavam que o problema era mais sério, foram realizados exames detalhados que constataram uma trombose venosa no cérebro.

Dois coágulos haviam se formado em duas veias que se juntavam na região posterior da cabeça. Como o sangue não conseguia circular, os vasos se romperam, provocando uma hemorragia e uma lesão do tamanho de um limão.

Para drenar o sangue e reduzir a pressão na região, foi feita uma cirurgia que durou cerca de sete horas. Depois, um remédio anticoagulante foi administrado pela veia para que os coágulos se dissolvessem.

Nani havia começado a sentir fortes dores de cabeça cinco dias antes. “Era uma dor de cabeça anormal, diferente. Mas fiquei achando que era por causa da rotina após o parto. Não tive muito descanso depois que minha filha nasceu e acordava a cada três horas para amamentá-la”, conta Nani.

Diferentemente de outras cefaleias por que já tinha passado, a dor aumentava quando ela repousava a cabeça. “Não era como enxaqueca ou sinusite, nas quais a dor melhorava quando eu deitava e ficava no escuro. Eu tinha de ficar com a cabeça em pé para que diminuísse”, lembra.

No primeiro episódio de dor, a apresentadora foi ao pronto-socorro, onde recebeu na veia um remédio contra a dor e foi orientada a voltar para casa. “Queria ir logo para casa porque precisava dar de mamar ao bebê. Os médicos comentaram que eu deveria fazer uns exames, mas não naquela hora.”

Gravidez

Nani teve uma gestação tranquila, com pressão arterial baixa durante os nove meses e todos os exames perfeitos. A recuperação pós-parto também corria muito bem. “Minha grande questão era entender por que isso havia acontecido.”

A resposta é que a apresentadora reúne alguns fatores que propiciam o problema. Ela tem uma mutação genética de uma enzima que favorece o estado de hipercoagulação (como a trombose) –uma de suas irmãs, por exemplo, já sofreu trombose na perna.

Outra questão foi o uso excessivo de hormônios, necessários para os 14 procedimentos de fertilização in vitro pelos quais a apresentadora passou nos últimos 12 anos até engravidar de Moira.

Os hormônios, especialmente estrógeno e progesterona, alteram a coagulação sanguínea, e o fato de ter passado por fertilizações repetidas vezes pode ter aumentado o risco.

A própria gravidez e o período pós-parto também contribuem para aumentar a capacidade de o sangue coagular. É a forma encontrada pelo organismo de se recuperar do parto e de estancar possíveis sangramentos. “Não dá para afirmar o que exatamente desencadeou a trombose da paciente. Foi um conjunto de fatores que levou ao problema”, afirma o neurologista Roberto Carneiro de Oliveira, do Hospital São Luiz, em São Paulo.

A trombose venosa no cérebro é uma forma rara de acidente vascular cerebral e pode ser muito grave, dependendo do local e da extensão atingida no cérebro.

Recuperação

Após passar pela cirurgia para drenar o sangue, Nani passou 18 dias internada no hospital –tempo em que acompanhou o desenvolvimento da filha mais nova por meio de fotos levadas pela mais velha, Manasha, de 14 anos.

Da fase de inconsciência, tem lembranças curiosas. “Parece que o ouvido fica mais aguçado na UTI. Num dia, ouvi enfermeiras falando que chegara um paciente com suspeita de gripe A (H1N1) e fiquei agoniada.”

Sua recuperação é considerada excelente. “Como ela ficou cinco dias tratando como enxaqueca e quadro tensional, isso poderia ter levado a uma situação mais grave”, diz Oliveira.

Em casa há cinco semanas, Nani pretende retomar o trabalho no início do mês de novembro. De sequelas, possui somente uma perda da visão no campo esquerdo de cada olho, que ficou escurecida.

A deficiência, no entanto, não prejudica as atividades do dia a dia e tem diminuído com o passar do tempo. Um exame realizado na semana passada indica que ela já recuperou 50% da visão prejudicada. Porém, parte da perda que ela teve deve ser permanente.

Como tratamento, Nani se diverte jogando “Paciência” no computador –indicação de seu médico para estimular a visão. “isso ajuda a pessoa a perceber seu campo visual”, afirma Roberto Oliveira.

Por seis meses, Nani terá de tomar anticoagulante oral e monitorar o índice de coagulação do sangue com um aparelho, que comprou para poder fazer o controle em casa.

Também não poderá ingerir vegetais de folhas verdes e fígado. Esses alimentos são ricos em vitamina K, essencial para a produção de alguns fatores de coagulação e, por isso, podem cortar o efeito do anticoagulante. “Não aguento mais comer salada de tomate com palmito”, reclama a apresentadora, com bom humor.

Fonte: Folha Online

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