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SP: médicos acusados de retirar órgãos de pacientes vivos vão a júri popular após 25 anos

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SÃO PAULO – Uma história que chocou a região e todo o Brasil na década de 80 deve chegar ao fim esse mês. Está marcado para daqui a duas semanas o julgamento de médicos acusados de retirar órgãos de pacientes ainda vivos, em Taubaté, a 134 quilômetros da capital. As informações são da VNews.

Ivan Gobo viveu um drama familiar em 1986. O irmão dele, Irani Gobo, foi internado no antigo hospital Santa Isabel, hoje hospital regional, com um aneurisma. A família autorizou a doação dos rins assim que fosse constatada a morte cerebral. Mas Ivan Gobo diz que os médicos desligaram os aparelhos antes disso.

– Tem gente que não fica em coma 2, 3, 4 anos e de repente se recupera? Por que não ele? Vamos dizer até que poderia ser um milagre, mas existia a possibilidade – diz.

Na época, outras três famílias contaram histórias parecidas. Então, em 1987, a polícia abriu um inquérito para investigar os atos de quatro médicos. A denúncia ficou conhecida como caso Kalume, porque a acusação foi feita pelo então diretor do departamento de medicina da Universidade de Taubaté (Unitau), Roosevelt Kalume.

Mais de duas décadas depois, ele quebrou o silêncio. E reafirmou: no momento da retirada dos órgãos, os pacientes estavam vivos:

– Pelos padrões científicos internacionais, você não pode ter um diagnóstico de morte cerebral num paciente que tem fluxo cerebral. E os doentes tinham fluxo cerebral. Tinham arteriografias perfeitas.

O inquérito policial durou dez anos. E o delegado Roberto Martins, que investigou o caso, concorda: houve precipitação na extração dos rins:

– Nós temos uma testemunha, uma enfermeira, que foi incisiva quando ela disse que um dos médicos deu um golpe, uma estocada com bisturi, no coração de uma das vítimas. E também um detalhe importante: morto não volta para a UTI. Era o caso que acontecia. Retirava os rins, diziam que estavam mortos, e voltavam pra UTI. Pra quê?

No tribunal do júri de Taubaté, serão contadas histórias com versões completamente diferentes: a promotoria diz ter provas de que os médicos cometeram, ao menos, quatro assassinatos. Mas a defesa vai tentar mostrar que as denúncias são absurdas e que não passam de mentiras.

Um dos quatro médicos, o neurologista Antonio Aurélio Monteiro, já morreu. Outros dois acusados, o também neurologista Marione Fiore Junior e o urologista Rui Sacramento falaram à VNews.

Eles alegaram que a equipe fez todos os procedimentos de forma correta. E disseram que Kalume retirou dos prontuários os laudos que comprovariam a morte dos pacientes.

– O doutor denunciante encaminhou para o conselho prontuários manipulados, manuseados, dos quais ele retirou documentos importantes – afirma o urologista Rui Sacramento.

Mas Mariano Fiore Jr., neurologista, afirma, “não havia sinais de fluxo cerebral compatível com vida nestes pacientes”.

O quarto médico, também urologista Pedro Henrique Torrecillas, não quis falar.

Ivan Gobo diz que espera por uma decisão da Justiça há 25 anos:

– Quanto tempo de espera e o negócio só vai enrolando, enrolando… É uma emoção muito grande saber que agora pode resolver esse problema desse processo.

– Eu acho que a Justiça tem que dar um basta nessa história. Foi um negócio assim, que me causa náusea até hoje. Me causa espanto – afirma Roosevelt Kalume.

– Eu sofrendo, a família sofrendo, um desespero dos amigos. Só não sei por que isso demorou tanto tempo. Nós estamos atrás dessa absolvição faz tempo – diz Mariano Fiore Jr.

Já o urologista Rui Sacramento se defende:

– Não me formei e não estudei 20 anos para prejudicar a vida dos outros. Pelo contrário: eu me formei pra salvar vidas e pra ajudar as pessoas a viver melhor.

Sobre a possível manipulação dos prontuários das vítimas, o médico denunciante, Roosevelt Kalume, nega as acusações dos réus. Para o julgamento, serão convocados 25 jurados. Mas apenas sete deles serão sorteados para o conselho de sentença. É esse conselho que decide se absolve ou condena os médicos pela acusação de homicídio. A pena pode variar de seis a 20 anos de prisão.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/10/05/sp-medicos-acusados-de-retirar-orgaos-de-pacientes-vivos-vao-juri-popular-apos-25-anos-925515712.asp#ixzz1ZviqsNbA
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