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Brasil precisa de vacina própria para prevenir HPV, diz geneticista

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Vacina importada não imuniza contra alguns tipo de vírus que existem aqui.

HPV pode causar câncer no colo do útero.

Tadeu MeniconiDo G1, em Águas de Lindoia (SP)

Produzir a vacina contra o HPV (vírus do papiloma humano, na sigla em inglês) no Brasil não é importante só pela redução de custos ou pela questão estratégica do domínio da tecnologia. Segundo o geneticista Willy Beçak, pesquisador do Instituto Butantan, as vacinas importadas têm efeitos limitados nos pacientes brasileiros.

O HPV tem vários subtipos, e alguns deles podem provocar tumores. O vírus é sexualmente transmissível, e o câncer mais associado a ele é o de colo de útero. Também há registro de câncer no pênis, ânus e garganta gerados pelo vírus.

A principal vacina disponível hoje protege contra dois tipos de HPV: o 16 e o 18. “Isso é válido para os Estados Unidos, onde foi desenvolvido, e é válido para outros lugares como o Sudeste do Brasil. Mas quando você faz esse levantamento em outros lugares, como, por exemplo, Pernambuco, o tipo prevalente é o 16, mas depois vêm outros, o 33 e o 31. Então a vacina não protege contra esses tipos”, alertou o geneticista.

“Até a vacinação da população lá seria prejudicial”, prosseguiu Beçak. “Se você vacinar, protege contra o 16 e aumenta a probabilidade de o 31 se espalhar”, completou o pesquisador, que também afirmou que uma vacina ineficaz dá uma falsa sensação de segurança, o que também é prejudicial.

Além disso, a dose da vacina importada custa cerca de 400 reais, e são necessárias três doses para que ela funcione. O alto custo é mais um incentivo para que o Brasil chegue à fórmula com tecnologia própria, feita em instituições públicas.

O geneticista Willy Beçak diz que o Brasil precisa desenvolver uma vacina própria contra o HPV (Foto: Tadeu Meniconi / G1)O geneticista Willy Beçak diz que o Brasil precisa desenvolver uma vacina própria contra o HPV (Foto: Tadeu Meniconi / G1)

Tendo isso em vista, o pesquisador e sua equipe do Instituto Butantan estão desenvolvendo a vacina nacional. A ideia é usar um componente na sequência de DNA que existe em todas as variantes do vírus, o que tornaria a vacina eficaz contra todos os subtipos, resolvendo o problema detectado em Pernambuco.

Beçak estima que o medicamento possa ficar disponível em cerca de oito anos. A espera parece longa, mas é justificada pelas exigências da Organização Mundial da Saúde. Antes de ser lançada, uma vacina precisa passar por uma bateria de testes que comprovem sua eficácia e sua segurança.

Gado de teste
Os mesmos pesquisadores já estão testando uma vacina contra o BPV, a versão bovina do vírus. Como as exigências para a vacinação animal não são tão restritivas quanto na imunização de humanos, os bois podem servir como cobaias para que a vacina contra o HPV fique pronta mais rápido.

Mas Beçak ressalta que esse não é o ponto mais importante. “A vacina tem, primeiro, interesse econômico para o País, porque vai melhorar o desempenho do gado”, disse o pesquisador, lembrando que o Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo.

O BPV afeta o gado bovino em vários aspectos. O couro se torna inutilizável, porque a pele do boi fica cheia de verrugas. A produção de leite cai, o corpo do animal se desenvolve menos e acontece queda na taxa de fertilidade. Há ainda casos de tumores na bexiga e no aparelho digestivo.

Entre os animais, o vírus se transmite não só pelo sexo, mas também pelo sangue, o que pode ocorrer inclusive durante a vacinação contra a febre aftosa, quando as seringas são compartilhadas.

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