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Como vai, Governador?

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Alguns anos atrás, um desses parasitas que perambulam de gabinete em gabinete, em Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, pegou o celular e fez uma chamada. Suas primeiras palavras foram: “Como vai, Governador?” Daí em diante tentou entabular um “amistoso diálogo” sem pé nem cabeça com o suposto interlocutor, que logo demonstrou tratar-se de simulação para demonstrar amizade com quem governava na época.
Era pura empulhação.  O fato ocorreu e há testemunhas.

O episódio me veio à mente enquanto pensava sobre a necessidade que muitos de nós têm de se manter em evidência, de se acharem os donos do pedaço, de se mostrarem a surfar na crista da onda ou a estarem por cima da carne seca. É tão pegajosa essa tendência, que, ao menor descuido, podemos estar a cometer gestos semelhantes ou até piores simplesmente para sermos vistos. É como se não nos contentássemos com aquilo que somos (em certo sentido isso pode ser uma virtude, quando visamos crescer em busca da maturidade para melhor servir) e usássemos os recursos mais vis para estarmos no centro do palco e sermos bajulados pelos áulicos de plantão.

Quando lutamos para estar em evidência como um fim em si mesmo isso revela grave anomalia de caráter e mostra que fomos afetados pelo vírus do humanismo.
Às vezes pensamos que o estilo humanista de vida é próprio dos meios alheios à vida eclesiástica, mas nunca se viu tanto o humanismo impregnar o meio cristão como nos dias de hoje. Não me refiro simplesmente à teologia da prosperidade, mas à própria postura de muitos de nós que chegam a achar-se mais importante do que Deus. São tão presunçosos que fazem questão de deixar claro a sua indispensabilidade. Se não forem eles, nada acontece. Parece que Deus tirou férias ou abandonou o barco.

Lembro do mensageiro que insistiu em levar a mensagem da guerra a Davi. Não era ele o protagonista para aquele momento. Outro deveria cumprir a missão. Mas insistiu tanto que o resultado todos conhecem.
Embora a Bíblia não registre, tenho liberdade para pensar que ele queria estar em evidência, o seu desejo era aparecer bem na fita, embora a mensagem a ser entregue ao rei não era, digamos assim, algo que pudesse levar o mensageiro a ser aplaudido em plena praça pública. Mas a obsessão é tamanha que as pessoas contagiadas por esse vírus não são capazes de medir as consequências. “Importa que eu seja o primeiro, nem que pise na cabeça de todos os demais”, pensam. “Importa que o meu nome saia no jornal, nem que seja nas páginas policiais”, chegam a conjecturar. “Importa que eu seja o dono da bola, mesmo que não saiba sequer os fundamentos do futebol”, arrazoam. Evidência, evidência, evidência.

No mundo do evangelho (não dos evangélicos) é diferente, graças a Deus! Aqui é outra a centralidade.
Aqui é outra a motivação. Aqui é outra a evidência.
João Batista sintetiza de forma graciosa esse conceito, quando responde com a maior segurança aos seus discípulos: “É necessário que ele cresça e que eu diminua”, João 3.30. Antes que algum hermeneuta mais apressado diga que aqui o texto trate da transição do Antigo para o Novo Concerto, ou seja, que João Batista esteja simplesmente a definir que com ele, o último dos profetas, se conclui uma etapa da história bíblica, para dar lugar ao fiador da Nova Aliança – o Messias – é óbvio que também está implícito na passagem um gesto de humildade, um sentimento do devido lugar de cada um, isto é, ele, o Senhor da história, tem toda a precedência. Ele é o centro. Ele é a evidência.

No mundo do evangelho não sou eu quem guia Jesus e estabelece o seu programa. Não sou eu quem o conduz pelos caminhos do mundo e determina quais são os seus próximos passos. Não sou eu quem impõe e ele simplesmente balança a cabeça a submeter-se aos meus caprichos. No mundo do evangelho eu sou cooperador, no estrito sentido do termo. Estou ao lado. Escuto. Respondo. Não para manifestar altivez, mas pequenez, como Jeremias no Antigo Testamento e o publicano da parábola. Cumpro ordens. Obedeço. Sou ferramenta. Quem opera e efetua é o Senhor Jesus. Se alguma glória eu possa refletir, é a glória dele, porque, como escreveu Paulo, “sou o principal dos pecadores”, não há nenhuma glória em mim mesmo, fui plenamente afetado pela depravação total da raça humana. Ele é o centro. Ele é a evidência.

Não sejamos como o parasita da introdução.
Não precisamos simular espiritualidade.
Não precisamos criar um simuladro de oração com voz gutural bem acentuada para aparentar que estamos bem com o Senhor. Não precisamos gritar e saracotear para impressionar os circunstantes.
Não precisamos ostentar pretensa intelectualidade, onde o que queremos são os louros, o aplauso do tipo: “esse aí sabe”, quando, no fundo, passamos longe, por exemplo, do conhecimento das línguas originais, mas rabiscamos uma palavra aqui, outra ali só para dar a impressão que somos os doutos na matéria. Já fiz isso. Hoje não faço mais. Se algum dia precisar citar o hebraico e o grego, vou cercar-me de quem os domina, buscar o que eles pensam e como definem, para, então, com bastante clareza, simplicidade e honestidade transpor para o meu texto o que descobri e não citar que isso significa aquilo, meramente como ostentação, quando, sequer, consigo ler uma frase inteira nos idiomas bíblicos.

Não simule. Não busque a evidência como um fim em si mesmo. Viva para o Senhor e o mundo saberá que você está bem com o Rei do Universo.
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