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Moradores de ex-lixões correm risco de doenças graves e explosões Especialistas dizem que contaminação pode gerar câncer e problemas com peso

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Marcos de Paula/AEFoto por Marcos de Paula/AE

Morro do Bumba foi um depósito de lixo há 50 anos e há suspeita de que essa situação possa ter contribuído para um acúmulo de gases e uma explosão

A tragédia no Morro do Bumba, em Niterói (RJ), em que um deslizamento de terra matou ao menos 35 pessoas, é um alerta para as condições de vida em comunidades construídas sobre ex-lixões. A área já foi um depósito de lixo há 50 anos e as casas que desmoronaram com o deslizamento teriam sido construídas sobre este lixão. A situação pode ter contribuído para um acúmulo de gases e, posteriormente, uma explosão.

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Ninguém deveria morar em áreas que já foram aterros sanitários ou lixões. É o que diz o geólogo Paulo Lima, da Essencis Soluções Ambientais. Segundo ele, por causa da decomposição do material em metano, um gás volátil, o risco de o local explodir é muito alto.

– Se houver vazamento desse gás para um lugar fechado, como uma casa, por exemplo, e alguém acender um isqueiro, um fósforo ou o próprio fogão, a explosão é certa.

Os principais riscos que as populações que vivem sobre ex-lixões ou ex-aterros não controlados correm estão relacionados à decomposição do lixo orgânico – geralmente alimentos. O resultado líquido desse processo é o chorume, que pode contaminar a água da região e liberar o gás metano, que é altamente tóxico.

Em alguns casos, o metano pode causar câncer e provocar náusea, vertigem, sonolência e irritação nas narinas e nos olhos, explica Cícero Antonio Antunes Catapreta, doutor em saneamento, meio Ambiente e recursos hídricos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Como a composição físico-química do chorume varia muito, o líquido negro pode conter altas concentrações de metais pesados e de micro-organismos nocivos à saúde humana, principalmente em mulheres grávidas, diz o especialista.

– Estudos de outros países sugerem que gestantes que moram em lugares próximos a locais de disposição inadequada de resíduos (domiciliares ou industriais) podem dar à luz a crianças com baixo peso e deficiência de estatura.

Pessoas de todas as idades estão sujeitas aos riscos e às doenças provocadas pelas emissões descontroladas nessas áreas. Mas as crianças e as pessoas idosas são as que correm mais perigo.

Segundo Catapreta, a única forma de se evitar tragédias como a que ocorreu no morro do Bumba é impedir que as pessoas vivam em lugares que já foram lixões ou aterros sanitários.

– Também deveria haver programas habitacionais mais abrangentes, para que as pessoas que buscam essas áreas irregulares tenham mais opções moradias.

Embora não existam estudos que demonstrem que essas áreas possam ser usadas depois de um certo tempo sem danos aos moradores, Lima e Catapreta dizem que o ideal é monitorar tais áreas por muitos anos. Dependendo das características de cada lugar, elas só poderão ser usadas na construção de áreas de lazer ou de parques ecológicos depois que for realizada a recuperação ambiental e a revegetação da região.

Para o geógrafo Otávio Cabrera de Léo, que fez uma tese de mestrado em 2006 sobre a situação dos aterros na cidade de São Paulo, o afastamento das pessoas é necessário porque, quanto mais próximas dos locais de decomposição, maior a vulnerabilidade. Como essas populações não têm como deixar essas áreas de risco, um jeito de diminuir o problema é separar o lixo úmido do seco para que eles não caiam no mesmo lugar e aumentem o poder de contaminação.

– Por isso, o poder público deve incentivar a coleta seletiva e investir na educação ambiental.

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