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Queixas mais comuns das pacientes no consultório do Mastologista

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Felizmente, a maioria das alterações mamárias não está relacionada com o câncer de mama.  Muitas não significam, sequer, uma doença.  E esta noção é importante, pois retira o “medo” que, às vezes, acomete a mulher e a impede de procurar o mastologista para esclarecer e investigar o diagnóstico da alteração que ela percebeu.

A queixa mais comum: é a dor mamária, ou mastalgia, que pode ter, inclusive, causas não mamárias como, por exemplo, alterações ortopédicas.

As mastalgias cíclicas, isto é, que são normalmente bilaterais e ocorrem freqüentemente próximo ao período menstrual, são devidas às alterações normais por que passam os tecidos mamários, em decorrência das variações hormonais, também normais.


Quando são muito intensas, podem requerer algum tratamento sintomático. Entretanto, não tem nenhuma relação com o câncer de mama.

Outro achado freqüente são os cistos mamários, nodulações formadas pelo acúmulo de líquido dentro das glândulas mamárias e que não constituem nenhum risco adicional para a mulher desenvolver câncer de mama. Fazem exceção se faz os cistos com “vegetações” em seu interior, que são bastante raros, que são descobertos pela ultra-sonografia e podem ter indicação de cirurgia ou outro tipo de biópsia.

Pequenos cistos associados á dor nas mamas, antigamente, constituíam alterações que eram chamadas de “displasias mamárias”, termo que deve ser evitado por dar uma idéia de doença, o que não é verdade.

Certas alterações mamárias podem constituir processos benignos sem que, contudo, signifiquem risco de câncer de mama. Dentre estas, podemos citar:

  • O fibroadenoma: que é um tumor benigno bastante freqüente, único, mas às vezes múltiplo, que acomete mais as mulheres jovens.
  • As inflamações da mama: chamadas mastites, que são mais comuns no período de lactação, em decorrência de pequenas fissuras que podem ocorrer nos mamilos, pela amamentação. Costumam causar vermelhidão e inchação da pele da mama ( eritema e edema) acompanhados de dor local. Nesses casos a paciente deve procurar o mastologista para orientação diagnóstica e terapêutica: normalmente são realizados ultra-sonografia e tratamento com antibióticos. Eventualmente, poderão ser necessárias punções ou drenagens. Existe um tipo de câncer que tem sintomatologia semelhante, por isso o especialista deve ser sempre consultado.

E o câncer de mama?

Já o câncer de mama, ao contrário das alterações benignas, na maioria das vezes, não dá sintomas em seu início. Quando já se consegue palpar um nódulo, este é freqüentemente indolor, endurecido e com bordas pouco definidas.  Entretanto, é bom que se diga que o diagnóstico não pode e não será feito com base somente nessas informações.  Ao se identificar um nódulo mamário, a mulher deve procurar seu mastologista, sem temores, para que este possa com o exame clínico, associado aos métodos de imagem (mamografia e ultra-sonografia) e, eventualmente, outros métodos, dar um diagnóstico com precisão.

Porque as mamas são vítimas de tantas alterações? O que têm de tão especial?

A mama é formada por gordura, tecido conjuntivo (que permite a sua sustentação) e de tecidos que constituem a “glândula mamária”, isto é, um conjunto formado por células produtoras de leite e seus respectivos canais, os ductos.  Por características próprias deste tecido, ele é muito sensível a variações hormonais, que por sua vez, podem variar por inúmeros motivos, sejam naturais ou não.  As alterações hormonais por que passa o organismo feminino, sejam do ciclo menstrual ou relacionadas à gravidez e amamentação, interferem diretamente na mama, produzindo modificações e, eventualmente, alguns sintomas. A realização do auto-exame mamário mensalmente, com início precoce, irá familiarizar a mulher com tais alterações e permitir uma melhor percepção de anormalidades que possam surgir.

Outro questionamento freqüente é sobre a realização de auto-exame das mamas. Ele é importante? Não seria melhor o médico ser o responsável pelo exame físico as mamas, pois muitas mulheres acham que não sabem fazer?

O auto-exame mamário é um método bastante simples de auxiliar o diagnóstico do câncer de mama.  Não requer nenhum equipamento especial: só a disposição da mulher de fazê-lo. Entretanto, algumas considerações são fundamentais:

  • O auto-exame, sozinho, não constitui método adequado para diagnóstico do câncer de mama. Isoladamente ele pode inclusive, dar uma idéia de normalidade que não existe, ou criar uma situação de “medo” que impede a mulher de procurar assistência médica.
  • Deve ser feito mensalmente, de preferência após o período menstrual ou, nas mulheres em menopausa ou que retiraram o útero, em um dia fixo todo mês. Não realizá-lo mais de uma vez por mês, para não ser causa de angústia para a mulher.
  • Ao fazer o auto-exame, a mulher não deve se preocupar em identificar estruturas ou saber se elas são normais ou não. A finalidade do auto-exame é o conhecimento da própria mama, de forma que, se algum dia, surgir qualquer anormalidade, seja um sinal ou sintoma diferente do habitual, ela procure imediatamente um mastologista. É preferível ouvir do médico que a alteração percebida não constitui uma doença, do que retardar um diagnóstico de um problema que pode ser grave.
  • Recomenda-se que se inicie o auto-exame mamário precocemente, a partir dos 20 anos de idade, justamente como forma de auto-conhecimento.

Na rotina da prevenção do câncer de mama, recomenda-se:

  • Exame clínico mamário, pelo mastologista, anualmente a partir dos 30 anos de idade, ou antes, em caso de familiares próximos com história de câncer de mama;
  • A mamografia deve ser realizada como rotina, em todas as mulheres com ou sem sintomas.
  • Recomenda-se a primeira mamografia aos 35 anos de idade e, após os 40 anos, anualmente. Vários estudos já demonstraram que o rastreamento com mamografia permite um diagnóstico mais precoce, com tratamentos menos mutilantes e maiores chances de cura.
  • Em mulheres com história familiar de câncer de mama a mamografia deve ser iniciada mais precocemente.
  • Em mulheres muito jovens, normalmente, com menos de 35 anos de idade, pode ser necessária a utilização adicional da ultra-sonografia, pois as mamas tendem a ser naturalmente mais densas, diminuindo um pouco a precisão da mamografia nestes casos.

Quais os sintomas claros de suspeita de câncer?

As informações sobre as características dos nódulos suspeitos foram descritas acima. Quando o câncer de mama causa sintomas ele provavelmente já não está em uma fase muito inicial. Assim, a mulher não deve esperar pelo aparecimento de sintomas para procurar o mastologista.  Faça isso regularmente, anualmente, mesmo sem sintomas.

Um erro freqüente que se comete é achar que só correm riscos de ter câncer de mama, as mulheres que tem outros casos na família.  Na realidade, o câncer de mama transmitido por alterações genéticas familiares corresponde a menos de 10% do total de casos.  Ou seja, mais de 90% das mulheres que surgem com câncer de mama, não tem história familiar suspeita.

Aquelas que apresentam uma história familiar de risco (parentes de primeiro grau, principalmente, mãe ou irmã com câncer de mama surgido antes do período de menopausa) deverão se submeter a um acompanhamento mais rigoroso.

Em relação a uma possibilidade de angústia devida ao aumento da incidência de câncer de mama, podemos informar:

  • Aparentemente, as alterações das mamas são mais freqüentes atualmente. Isso porque não só o câncer de mama e, também, inúmeras doenças, sejam elas benignas ou malignas, estão relacionadas com hábitos de vida que hoje são bastante diferentes dos de antigamente.  Além disso, com a melhoria das condições de vida e assistência médica da população, as pessoas tendem a viver mais (maior expectativa de vida), o que acarreta um risco maior de aparecimento das doenças chamadas degenerativas, entre elas o câncer de mama.
Colaborador: Dr. Geraldo Sérgio Vitral, Juiz de Fora, MG
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