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Cientistas americanos identificam novo possível tratamento para a hepatite C

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Pesquisa foi realizada na Universidade Stanford, nos EUA.
Novos compostos químicos são menos tóxicos que as drogas atuais.

Do G1, em São Paulo

Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade Stanford identificaram uma nova classe de compostos químicos que, em testes in vitro, inibiram a replicação do vírus da hepatite C.

Caso esses compostos também se mostrem efetivos em seres humanos, eles podem acelerar dramaticamente os esforços contra a tendência do vírus de adquirir resistência aos medicamentos. Além disso, podem ser uma alternativa aos efeitos colaterais causados pela maioria das drogas utilizadas hoje.


A doença infecta mais de 150 milhões de pessoas no mundo, muitas delas sem saber que são portadoras. A forma crônica da hepatite C é a principal causadora de câncer e dos transplantes de fígado nos Estados Unidos”

“A hepatite C é um enorme problema”, diz Jeffrey Glenn, professor de gastroenterologia e hepatologia e diretor do Stanford’s Center for Hepatitis and Liver Tissue Engineering. “A doença infecta mais de 150 milhões de pessoas no mundo, muitas delas sem saber que são portadoras. A forma crônica da hepatite C é a principal causadora de câncer e dos transplantes de fígado nos Estados Unidos.”
De acordo com o pesquisador, os tratamentos disponíveis hoje são apenas parcialmente efetivos e muitas vezes apresentam efeitos colaterais. Desenvolver um novo antiviral é complicado, pois o vírus se aproveita do funcionamento das funções das células do fígado para se replicar.

Foto: Reprodução/stanford.edu/brown.edu

Imagem das células de um fígado infectado pelo vírus da hepatite C em estágio crônico (Foto: Reprodução/stanford.edu/brown.edu)

Existem muitas drogas efetivas para doenças causadas por bactérias.

As bactérias, assim como nossas próprias células, são repletas de unidades funcionais.

No entanto, elas diferem das células dos mamíferos na forma como é possível atacá-las com os medicamentos.

Os antibióticos revolucionaram os tratamentos de doenças infecciosas causadas por elas.
Desenvolver um antiviral sem efeitos colaterais é outra história. Diferente das bactérias, que se multiplicam pela divisão, os vírus se reproduzem estourando as células e desviando as funções de seu “maquinário interno” para produzir cópias de si mesmo.

“É imperativo identificar novas classes de potenciais medicamentos”

Diferente de outros vírus, o da hepatite C não cresce em culturas quando isolados, o que impede que os pesquisadores obtenham drogas ou vacinas efetivas (ainda não existe uma vacina contra a hepatite C).
Há alguns anos, virologistas desenvolveram um sistema substituto para a duplicação do vírus da doença. Esse sistema pode ser usado para testar os compostos químicos efetivos contra o vírus.


Porém, sempre que um desses compostos se mostra efetivo, o vírus sofre uma mutação rapidamente. Dessa forma, adquire resistência na mesma velocidade. A mais recente solução, diz Glenn, é provavelmente “o ataque do vírus por múltiplos ângulos, todos ao mesmo tempo com um coquetel de medicamentos. É imperativo identificar novas classes de potenciais medicamentos.”

Glenn é um dos autores do estudo, publicado na edição desta quarta-feira (20) na “Science Translational Medicine”, em que ele e seus colegas relatam o desenvolvimento de uma nova classe de compostos capaz de interromper o ciclo de replicação do vírus da hepatite C com pouca ou nenhuma toxicidade para as células humanas, diz Glenn.
O pesquisador prevê um período de um ano a 18 meses de testes pré-clínicos e testes em animais antes que esses compostos possam ser aprovados para testes em humanos pela agência reguladora dos EUA, o FDA.




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