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Morro da Providência

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Marcelo Crivella

O Morro da Providência é a primeira favela do Brasil. Ela começou em dois momentos distintos. Em novembro de 1864, Solano Lopes, Presidente do Paraguai, prende o navio brasileiro e, em seguida, invade o Mato Grosso do Sul até Dourados, e o Estado do Rio Grande do Sul.
O Brasil se une ao Uruguai e à Argentina para enfrentar o Paraguai, que, na ocasião, contava com um exército de 80 mil homens, fábricas de pólvora e armas, e tinha um índice de desenvolvimento relativo superior ao do Brasil. Para enfrentá-lo, Dom Pedro II lança o programa chamado Voluntários da Pátria, que oferecia alforria aos negros escravos que se dispusessem ir à guerra.
Milhares foram, muitos morreram, muitos voltaram. Ao desembarcarem no Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, encontram a seguinte situação: alforria, mas sem trabalho e moradia. É bem verdade que Duque de Caxias defendia a tese de que qualquer um, fosse índio, fosse negro, branco pobre ou mestiço, que vestisse a farda, se tornasse cidadão.
Mas, para o PRP – Partido Republicano Paulista, de 1870, não havia interesse, na ocasião, de lutar contra a escravidão, já que ela se constituía num vetor de desgaste para o império.
Esses soldados heróis, em parte vão ocupar as partes planas ao sopé do Morro da Providência. Vinte e sete anos mais tarde, com o fim da cruel Guerra dos Canudos, os soldados retornados vão ocupar as partes altas do Morro da Providência.
Há, também, segundo outras fontes, os desalojados do cortiço Cabeça de Porco, que também ocupam o Morro da Providência por volta do fim do Século XIX.
O importante a assinalar é que já se passaram 137 anos e, ao invés de termos urbanizado o Morro da Providência, por um processo de desenvolvimento extremamente injusto, criamos outras centenas de comunidades carentes no Rio de Janeiro.
As pessoas continuam indo à guerra da sobrevivência, não como soldados, mas como pedreiros, mecânicos, carpinteiros, empregados domésticos, sucessivas gerações de negros, brancos pobres e mestiços que lutam muito, mas o salário que recebem é só o suficiente para viver e a moradia continua sendo casas improvisadas nos morros da cidade.
Foi por isso que elaborei o Projeto Cimento Social, cujo objetivo é ajudar as famílias a terminarem suas casas nas comunidades carentes. O Presidente Lula, atento a esta questão, destinou 12,6 milhões de reais para a obra, e, na primeira fase, 782 casas receberão argamassa, pintura, portas e janelas, reforço estrutural e telhado para evitar a proliferação do mosquito da dengue nas comunidades carentes. O Exército será encarregado de realizar a obra por razões históricas. Será uma clarinada de fé e de esperança, uma alvorada redentora para centenas de famílias carentes, que, finalmente, poderão concluir suas casas.
E o sangue de brancos e negros derramado coloriu o verde das águas dos rios pela glória do Brasil da Guerra do Paraguai. Hoje, com o Cimento Social, se presta a eles a mais solene, justa e merecida recompensa.

Publicado no Jonal Povo do Rio, em 18 de dezembro de 2007.

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